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Governança: crescer é importante, sustentar o crescimento é essencial

Leonardo Muller · 8 min de leitura

Plateia de empresários em encontro do HOK Club

Em encontro do HOK Club, Leonardo Muller mostrou por que a governança não deve ser vista como um tema exclusivo das grandes corporações, mas como uma base essencial para qualquer empresa que queira crescer com organização, segurança e longevidade.

Crescer uma empresa é um desafio.

Sustentar esse crescimento ao longo do tempo é outro, ainda maior.

Foi a partir dessa reflexão que Leonardo Muller conduziu um encontro do HOK Club dedicado aos fundamentos da governança e à mentalidade necessária para transformar negócios mais dependentes do dono em empresas mais estruturadas, previsíveis e preparadas para crescer.

Logo no início, Leonardo destacou que não abordaria apenas ferramentas ou modelos formais de governança. O foco seria a base: entender por que a governança existe e qual papel ela cumpre dentro das organizações.

Ao longo de sua experiência acompanhando e desenvolvendo negócios, ele percebeu um padrão: muitas empresas conseguem crescer de forma acelerada durante determinado período, mas têm dificuldade em sustentar aquilo que conquistaram.

O problema, muitas vezes, não está na falta de inteligência ou estratégia.

Está na ausência de um sistema estruturado de acompanhamento, responsabilidades e tomada de decisão.

Sua empresa continuaria crescendo sem você?

Uma das primeiras provocações do encontro foi direta:

Se você desaparecesse por 90 dias, sua empresa continuaria crescendo?

A pergunta coloca o empresário diante de um dos principais sinais de fragilidade de um negócio: a dependência excessiva do dono.

Quando todas as decisões, soluções, negociações e aprovações passam por uma única pessoa, a empresa pode até crescer, mas cresce de forma vulnerável.

Leonardo chamou atenção para o fato de que muitos empreendedores acreditam ter construído uma empresa, quando, na prática, criaram para si um trabalho caro, complexo e impossível de abandonar por alguns dias.

Governança começa justamente na redução dessa dependência.

Governança não é só para empresa grande

Uma das principais crenças desconstruídas durante o encontro foi a de que governança pertence apenas ao universo das grandes corporações.

Para Leonardo, ela serve para qualquer negócio.

Em essência, governança significa trazer clareza para três perguntas fundamentais:

Quem decide?

Quem executa?

Quem responde?

Isso vale para uma empresa com centenas de colaboradores, mas também para um pequeno negócio.

Quanto menor a estrutura, mais de uma função pode estar concentrada na mesma pessoa.

O importante é que exista clareza sobre os papéis exercidos em cada momento.

Não existe resultado sustentável sem acompanhamento

Outro ponto central foi a relação entre governança e resultado.

Planejar não basta.

Definir metas não basta.

Criar um plano estratégico também não basta.

Sem acompanhamento estruturado, aumenta muito a chance de o plano desaparecer no meio da operação diária.

Leonardo reforçou que um processo claro permite acompanhar aquilo que foi combinado, cobrar entregas e corrigir desvios antes que eles se tornem maiores.

E trouxe uma constatação simples:

não é possível cobrar corretamente aquilo que nunca foi claramente definido.

Por isso, protocolos, processos, responsabilidades e critérios não são burocracia.

São ferramentas de clareza.

Sobrevivência ou prosperidade?

Durante o encontro, Leonardo propôs uma diferenciação importante entre duas formas de operar uma empresa.

A primeira é o modo sobrevivência.

Nele, a gestão acontece por reação.

Surge um problema.

Corre para resolver.

Um cliente reclama.

Corre para atender.

Um colaborador sai.

Corre para contratar.

A margem cai.

Corre para cortar.

As decisões são guiadas pela urgência do momento.

Já uma empresa estruturada em governança começa a operar mais próxima de um modo de prosperidade.

Ela cria espaço para pensar antes.

Para analisar tendências.

Para acompanhar indicadores.

Para discutir estratégia antes da crise.

Para decidir de forma menos impulsiva e mais consciente.

Governança é antecipação

Um dos exemplos mais relevantes apresentados mostrou justamente essa diferença.

Leonardo relatou o caso de uma empresa que identificou, com antecedência, um risco capaz de afetar sua cadeia de suprimentos e sua produção.

Em vez de descobrir o problema apenas quando os produtos deixassem de chegar, o sistema de acompanhamento permitiu antecipar a situação e criar um comitê para reduzir os impactos futuros.

Isso traduz a governança na prática:

ver antes.

Identificar sinais.

Antecipar riscos.

Criar alternativas.

E preparar a empresa antes que uma situação se transforme em crise.

Sua empresa possui sinais claros de governança?

Leonardo propôs aos empresários uma autoavaliação simples.

A empresa possui reuniões periódicas voltadas para estratégia, e não apenas para resolução de problemas?

Existem indicadores claros em diferentes áreas?

Cada área possui um responsável definido?

As decisões são documentadas?

Existe planejamento formal?

Os resultados são acompanhados regularmente?

Essas perguntas ajudam a mostrar o nível de maturidade de gestão do negócio.

Quanto maior o número de respostas negativas, maior tende a ser a dependência da empresa em relação ao dono e à operação do dia a dia.

Uma empresa que depende do dono vale menos

A discussão também avançou para um ponto importante: valor de mercado.

Uma empresa que depende integralmente do fundador tende a carregar um risco maior.

Se ele sai, adoece ou deixa de operar, o negócio sofre.

Quanto mais a empresa possui processos, lideranças, responsabilidades claras e autonomia operacional, menor essa dependência.

E menor dependência significa maior maturidade.

Leonardo conectou esse ponto ao valuation, mostrando que empresas mais estruturadas tendem a ser percebidas como negócios mais seguros e transferíveis.

O valor de uma empresa não está apenas nos produtos que vende.

Também está na capacidade de continuar funcionando sem depender exclusivamente de uma pessoa.

Governança gera confiança

Outro aspecto debatido foi a percepção de clientes, fornecedores e colaboradores.

Empresas organizadas transmitem segurança.

Um fornecedor percebe quando está negociando com uma empresa estruturada.

Um cliente percebe quando existe consistência na operação.

Um profissional qualificado também observa se aquele ambiente oferece condições para que ele construa uma carreira.

Por isso, governança também se transforma em credibilidade.

Ela ajuda a empresa a atrair melhores pessoas, criar relações mais sólidas com fornecedores e transmitir confiança ao mercado.

Estar ocupado não significa estar sendo estratégico

Um dos pontos mais humanos da conversa foi a relação entre governança e tempo.

Muitos empresários vivem em uma rotina permanente de correria.

Agenda cheia.

Problemas.

Reuniões.

Demandas.

Decisões.

No final do dia existe a sensação de que muita coisa foi feita.

Mas a pergunta é:

quanto disso realmente moveu a empresa para frente?

Leonardo destacou a diferença entre estar ocupado e ser produtivo.

Sem uma estrutura que distribua responsabilidades e organize a tomada de decisão, o empresário fica preso em um ciclo:

correria, incêndios, problemas repetidos e falta de tempo.

E justamente por estar sem tempo, ele deixa de estruturar a empresa.

A ausência de estrutura gera novos problemas.

E o ciclo recomeça.

Observe os sinais antes do caos

Outra analogia utilizada foi a de um vulcão.

Antes de uma erupção, existem sinais.

Pressão.

Fissuras.

Tremores.

Fumaça.

Em uma empresa, acontece algo semelhante.

Uma reunião que nunca gera decisão.

Metas sem acompanhamento.

Conflitos recorrentes.

Centralização excessiva.

Aumento de turnover.

Queda de margem.

Baixo engajamento.

Clientes insatisfeitos.

Todos esses elementos podem ser sinais.

Quando ignorados, evoluem.

Sinais se transformam em crises.

Crises se transformam em problemas.

E problemas não tratados podem levar ao caos.

A governança permite atuar antes.

Liderança também precisa ser construída antes

Leonardo trouxe ainda um exemplo importante sobre pessoas.

Se o mercado começa a dar sinais de escassez de lideranças preparadas, esperar o problema se instalar para agir pode ser tarde demais.

Um líder estratégico não é preparado em algumas semanas.

Pode levar um ou dois anos para desenvolver alguém para determinadas posições.

Por isso, governança também significa olhar para frente e perguntar:

Quem serão nossos próximos líderes?

Quem pode assumir novas responsabilidades?

Quem precisa começar a ser preparado hoje?

Essa capacidade de antecipação reduz riscos futuros e aumenta a autonomia da organização.

As quatro perguntas da governança

Para sintetizar o tema, Leonardo apresentou quatro perguntas fundamentais:

Para onde vamos?

Quem decide?

Quem executa?

Como medimos?

A primeira fala de direção.

Qual é a estratégia?

Quais são as prioridades?

Onde a empresa deseja chegar?

A segunda trata de papéis e alçadas.

Quem possui autoridade para tomar cada tipo de decisão?

A terceira define responsabilidade.

Quem é o dono daquela entrega?

E a quarta pergunta trata de indicadores.

Como sabemos se estamos avançando?

Sem medição, a gestão perde velocidade.

Sem indicadores, sinais importantes passam despercebidos.

Governança também protege o negócio

Durante a conversa, a governança também foi associada à segurança.

Segurança para os sócios.

Para os colaboradores.

Para fornecedores.

Para clientes.

Isso envolve estruturas societárias, acordos, responsabilidades, sucessão, desenvolvimento de lideranças e processos claros.

Quanto maior a maturidade da empresa, mais essas estruturas contribuem para sua perenidade.

No fim, governança não elimina todos os conflitos ou riscos.

Mas oferece mecanismos para enfrentá-los de maneira mais estruturada.

Quanto menor a empresa, mais fácil começar

Talvez uma das mensagens mais importantes do encontro tenha surgido justamente ao final.

Uma empresa pequena não precisa esperar crescer para implantar governança.

Na verdade, pode ser mais fácil começar enquanto ainda é pequena.

Com menos pessoas, menos processos e menor complexidade, existe mais facilidade para criar a cultura desde o início.

A lógica apresentada foi simples:

administre hoje a empresa do tamanho que você deseja ter amanhã.

Se o objetivo é construir uma empresa grande, comece desde já a criar práticas compatíveis com esse futuro.

Crescimento com estrutura

Governança não significa tornar a empresa lenta.

Também não significa criar uma estrutura cheia de burocracia.

Significa criar clareza.

Clareza sobre direção.

Sobre responsabilidades.

Sobre decisões.

Sobre indicadores.

Sobre riscos.

E sobre quem responde por cada parte do negócio.

No fim, a principal provocação do encontro pode ser resumida assim:

crescer é importante, mas construir uma empresa capaz de sustentar esse crescimento é ainda mais importante.

Empresas que operam apenas pela força do dono podem crescer.

Empresas que constroem governança criam condições para permanecer.

E é essa estrutura que transforma crescimento em longevidade.

O HOK existe para líderes QUE QUEREM VOAR ALTO.